Era pandemia. Aula à distância. Eu tinha mais ou menos 800 alunos. O que já é um número que, só de falar, dá um certo arrepio em qualquer professor.
Passei uma atividade por e-mail. Tudo muito organizado, muito profissional. No final do e-mail escrevi:
“Quando vocês terminarem, devolvam a atividade por aqui que eu vou corrigir e lançar a nota, ok?”
Enviei. Cinco minutos depois minha caixa de entrada começou a pipocar.
E-mail chegando. Mais e-mail. Mais e-mail.
Eu pensei: “Rapaz, os alunos estão eficientes! Já fizeram a atividade!”
Abri o primeiro e-mail.
Abri o segundo.
Ok.
Terceiro.
Ok.
Quarto.
Ok.
Quinto.
Ok.
Daqui a pouco eu estava olhando pra tela com umas 40 mensagens e todas diziam exatamente a mesma coisa:
Ok.
Parecia que eu tinha entrado em algum tipo de seita digital do OK.
Naquele momento eu percebi que tinha cometido um erro grave: falar “ok” para 800 alunos.
Respirei fundo e pensei: “Calma. Vou resolver isso.”
Então mandei outro e-mail:
“Pessoal, vocês não precisam responder ‘ok’ quando eu coloco ‘ok’. Respondam apenas enviando a atividade.”
Enviei.
Cinco minutos depois… minha caixa de entrada começou a pipocar de novo.
Eu pensei: “Agora entenderam.”
Abri o primeiro e-mail.
Ok.
Abri o segundo.
Ok.
Terceiro.
Ok.
Quarto.
Ok.
Quinto.
Ok.
Como conheço meus alunos, logo percebi que eles não estavam fazendo por inocência e resolvi rebater,
com outro e-mail, com meu jeitinho Pro Cláudia de ser:
A partir de hoje se algum aluno me mandar e-mail com "OK", vai ver quando as aulas
voltarem a ser presenciais. OK??????
E, até hoje, nunca mais recebi um OK. É, acho que dessa vez eles entenderam.







