sexta-feira, 20 de março de 2026

Ok? Ok!

 Era pandemia. Aula à distância. Eu tinha mais ou menos 800 alunos. O que já é um número que, só de falar, dá um certo arrepio em qualquer professor.

Passei uma atividade por e-mail. Tudo muito organizado, muito profissional. No final do e-mail escrevi:

“Quando vocês terminarem, devolvam a atividade por aqui que eu vou corrigir e lançar a nota, ok?”

Enviei.
Cinco minutos depois minha caixa de entrada começou a pipocar.

E-mail chegando.
Mais e-mail.
Mais e-mail.

Eu pensei:
“Rapaz, os alunos estão eficientes! Já fizeram a atividade!”

Abri o primeiro e-mail.

Ok.

Abri o segundo.

Ok.

Terceiro.

Ok.

Quarto.

Ok.

Quinto.

Ok.

Daqui a pouco eu estava olhando pra tela com umas 40 mensagens e todas diziam exatamente a mesma coisa:

Ok.

Parecia que eu tinha entrado em algum tipo de seita digital do OK.

Naquele momento eu percebi que tinha cometido um erro grave: falar “ok” para 800 alunos.

Respirei fundo e pensei:
“Calma. Vou resolver isso.”

Então mandei outro e-mail:

“Pessoal, vocês não precisam responder ‘ok’ quando eu coloco ‘ok’. Respondam apenas enviando a atividade.”

Enviei.

Cinco minutos depois…
minha caixa de entrada começou a pipocar de novo.

Eu pensei:
“Agora entenderam.”

Abri o primeiro e-mail.

Ok.

Abri o segundo.

Ok.

Terceiro.

Ok.

Quarto.

Ok.

Quinto.

Ok.

Como conheço meus alunos, logo percebi que eles não estavam fazendo por inocência e resolvi rebater, 

com outro e-mail, com meu jeitinho Pro Cláudia de ser:

A partir de hoje se algum aluno me mandar e-mail com "OK", vai ver quando as aulas

voltarem a ser presenciais. OK??????

E,  até hoje, nunca mais recebi um OK. É, acho que dessa vez eles entenderam. 


terça-feira, 10 de março de 2026

Menopausa x Doença Degenerativa

 
Do nada meus pés começaram a ficar quentes. Mas quentes mesmo! Parecia que eu tinha instalado um aquecedor portátil neles.

Sem entender o que estava acontecendo, resolvi consultar o Dr. Google.

Entrei com “pé quente” e saí com três doenças raras, duas degenerativas e um prazo de vida de seis meses.

O Google é assim: você pesquisa dor no pé e já começa a escolher a música do velório.

Fiquei desesperada e contei para um amigo médico sobre os meus sintomas e a pesquisa no Google.

Ele, achando graça no meu desespero, me acalmou um pouco e indicou um angiologista para ver se era algum problema de circulação.

E lá fui eu!!


O médico, muito educado:

— Bom dia, pode sentar. Me fale o que está acontecendo.

Eu disse que estava sentindo meus pés muito quentes e que estava muito nervosa porque tinha feito uma pesquisa no Google e tinha dado várias coisas ruins, inclusive uma doença degenerativa.

Ele deu um sorrisinho balançando a cabeça e perguntou minha idade.

Quando eu respondi, ele fez aquela cara de médico que já entendeu tudo e perguntou com a maior naturalidade do mundo:

— E como a senhora está lidando com a fase da menopausa?

Na hora fiquei sem palavras e com a voz um pouco fraca, respondi:

— Não, doutor… eu vim por causa dos meus pés… eles estão muito quentes…

Ele deu mais uma risadinha e disse:

— Então, isso pode ser menopausa.

Sem conseguir me controlar, soltei:

- MENOPAUSAAAA??!!? 

Neste momento minha mente não parava de processar: Tá velha, tá velha, tá velha!

E num ímpeto, soltei;

- Nãoooo, menopausa nãooo!!! Era melhor que fosse a doença degenerativa do Google!

A Bufa Atômica

 Era para ser apenas mais uma noite comum. Eu, uma amiga e um casal de amigos fomos para a Borracharia— que, apesar do nome, é um lugar de música alta, gente dançando e luz piscando. Pneus apenas de decoração.

Depois de um tempo conversando, eu e minha amiga resolvemos ir para o meio da pista. A música estava boa e a gente super animadas. Começamos a dançar uma de frente para a outra, no meio da galera.

Foi então que minha amiga fez uma cara séria e anunciou, com toda a naturalidade do mundo:

— Amiga… eu vou peidar.

Eu parei no meio do passinho.

— Pelo amor de Deus!

Mas, como eu estava de frente para ela, fiz um raciocínio rápido, daqueles que parecem inteligentes na hora:

— Ah, tudo bem. O peido vai pra trás, né? Por mim, faça o que quiser.

E ela fez!!!

Aí veio um vento traiçoeiro. O vento bateu e o peido voltou. Veio direto na minha cara.

Foi uma carniça indescritível. Um ataque químico inesperado. Uma bufa atômica.

Eu virei na hora e saí correndo da pista em direção ao fumódromo, que fica lá em cima, subindo uma escada longa. Enquanto eu corria desesperada, olhava para trás…

E minha amiga vinha correndo atrás de mim.

Eu, desesperada, continuava correndo e gritando:

— SAI! SAI! SAI QUE O PEIDO COLA NA BUNDA!

Eu corria e ela corria atrás. Eu corria e ela corria atrás. E ela passando, o peido se espalhando e o pessoal quase vomitando.

Finalmente chegamos ao fumódromo. Graças a Deus, o peido já havia sido “inspirado” pelas narinas alheias que estavam na pista. Respiramos aliviadas, sentamos e começamos a rir sem parar.

Daquelas risadas que chegam a doer a barriga. Enquanto a gente ria, o pessoal olhava sem entender nada.

Ainda fizeram uma pergunta:

— O que aconteceu?

Mas a gente não conseguia falar. Toda vez que tentava explicar, lembrava do vento… da corrida… do grito… e voltava a rir mais ainda.

Depois de um tempo, quando finalmente conseguimos respirar, minha amiga lembrou do casal de amigos que tinha ficado lá embaixo na pista e perguntou:

— Cadê fulano e fulana?

Eu respirei fundo e falei:

— Ah, minha filha… desça lá. Com certeza a pista está vazia com dois corpos estendidos no chão.

Pra que falei isso? Voltamos a rir sem parar novamente.

Mas uma coisa é certa:

Se ventar, não peide… se peidar, não corra.

sexta-feira, 6 de março de 2026

O Viado Mudo

Fui comemorar meu aniversário em João Pessoa com amigos que moram lá e outros de Salvador que também foram. Estávamos na varanda da casa de uma amiga, conversando, rindo e

bebendo, quando fui ao banheiro. Nesse momento, meu celular tocou com o nome de um amigo gay de João Pessoa que havia saído para comprar algumas coisas - xará do meu paquera da época. 

Minha amiga, dona da casa, viu o nome na tela, achou que era esse amigo gay e atendeu dizendo: “Faaaaaala, viado”. Como a pessoa do outro lado ficou em silêncio, ela repetiu: “Tá muuuuudo , viado?”. Logo depois, a ligação foi encerrada.

Quando voltei, descobrimos que o amigo gay que tinha saído não tinha levado o celular. Ao verificar, percebi que quem havia ligado tinha sido meu paquera - não o xará -  que, provavelmente, queria me dar os parabéns.

Desde então, aprendi duas coisas: nunca deixe o celular desbloqueado e nunca tenha dois contatos com o mesmo nome. Porque, no meu aniversário, em vez de ganhar declaração, ganhei um “viado mudo” ecoando na minha memória para sempre. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

O Buraco

Estávamos em uma festa de São João, dançando forró, tomando licor e cerveja — tudo muito animado.

No meio da festa, uns três amigos resolveram ir fumar uma ervinha e saíram, ficando um tempinho lá fora.

Daqui a pouco, um deles voltou e falou:
— Fulano “caiu no buraco”!

A mãe do “fulano” ouviu e ficou desesperada:
— Que buraco? Que buraco? Pega ele lá no buraco!

Todo mundo começou a rir, sem conseguir explicar o que era cair no buraco, mas uma boa alma disse:
— Calma, o buraco era raso!

Dicionário:
Cair no buraco = entendedores entenderão 😉  

Enóloga de Araque





Eu e mais cinco amigas estávamos em um barzinho, conversando e tomando vinho — com exceção da minha pessoa, completamente fiel à minha cervejinha.

Enquanto conversávamos e bebíamos, uma amiga fumava.

Depois de algumas garrafas de vinho, a fumante pegou uma das garrafas vazias e a transformou em cinzeiro. Começou a colocar as bitucas dentro.

Continuávamos conversando, rindo e bebendo… e bituca pra dentro.

Uma das minhas amigas estava conversando animadamente e não percebeu que uma das garrafas de vinho tinha virado cinzeiro.

Em determinado momento, ela foi colocar mais vinho na sua taça e pegou a garrafa-cinzeiro. Virou o resto de vinho que sobrava na garrafa juntamente com três bitucas. E, feliz da vida, deu um gole.

Assim que terminou, falou:

— Que vinho maravilhoso!! Quem trouxe esse?? Esse, sim, é perfeito! Amadeirado! Cheiro de carvalho! De tabaco!

E começou a oferecer a todas.

Nesse momento, o marido dela, na época, foi chegando e enxergou os corpos estranhos na taça.

Super assustado, gritou perguntando se ela estava louca. Foi aí que todas nós, inclusive ela, percebemos o que ela estava bebendo.

Dessa história toda ficaram dois aprendizados: eu nunca vou largar minha cerveja, que sempre tem gosto de cerveja, e minha amiga vai prestar mais atenção nas taças de vinho, já que mostrou que não passa nem por perto de ser uma enóloga.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Relação Entre o Cérebro e a Bunda

Estava na Secretaria de Educação da Bahia resolvendo minha vida junto com vários professores que, assim como eu, ficaram sem colégio, pois foram fechados pelo governo do estado.
A sala cheia e uma recepcionista tentando organizar a ordem de atendimento.
Enquanto a recepcionista colocava os nomes na lista, uma professora interrompeu para tirar uma dúvida. A recepcionista parou de escrever e disse:
Como a senhora quer que eu raciocine em pé?
Eu, perplexa com o comentário, interrompi as duas e perguntei a recepcionista:
O que o cérebro tem a ver com a bunda?
Bem, até agora estou esperando a resposta, pois fiquei super curiosa com a possível relação.