Fui pra uma noitada puxada na sexta e no sábado tinha sido
convidada para “ajudar” a beber uma caixa de cerveja que um casal de amigos ganhou
numa promoção.
Palavra dada, palavra honrada.
Fui dormir por volta de 6:00 e acordei 11:00 para cumprir meu compromisso.
Sabe quando ainda não acordamos zerados e vamos pra outra
batalha? Quem bebe, sabe!
Pois bem, primeiro gole e lona! Fiquei mal!!!
Minha amiga, a dona da caixa (anjo bom), não me deixou
voltar de carro e acabei pegando carona com outra amiga que estava participando
da gincana “Vamos beber a caixa”.
Quando chegamos na entrada da minha rua, estava tudo
fechado. A polícia tinha interditado a rua por conta de um jogo de futebol que estava acontecendo no estádio que fica num
bairro acima da minha casa.
Eu, muito mal, com vontade de fazer xixi e louca pra chegar
em casa, resolvi descer do carro e conversar com os policiais para explicar que
era minha rua e que precisa passar.
- Seu policial, boa noite!
- Boa noite!
- Por favor, o senhor deixa o carro da minha amiga passar?
Moro nessa rua e preciso muito chegar em casa.
O policial grosso, como o de costume (me desculpem os educados e
delicados), respondeu:
- Não está vendo que a rua está bloqueada? Não passa
ninguém!!
Assim que me respondeu foi me dando as costas.
Nessa hora, infelizmente, deve ter baixado um santo bravo em
mim e sem pestanejar, bravejei:
- Porque vocês passam num concursinho e usam uma fardinha
acham que podem tratar as pessoas com falta de educação e arrogância. Bando de
analfabetos! É, por isso, que estão essa hora da noite cuidando de carro.
Porque é isso que vocês estão fazendo... Cuidando de carro!!
Dei as costas e voltei pro carro da minha amiga.
Acredito que a ficha dos policias só caiu depois e só
tiveram uma reação quando o trânsito foi liberado e o carro de minha amiga
passou por eles.
PRIIIIIIIIIIIII
O apito mandando a gente parar.
Paramos tranquilas, afinal, eu que tinha bebido não estava
dirigindo e minha amiga que estava no comando estava ótima!!
Tudo seria perfeito se minha amiga não estive sem o
documento do carro. Foi o ponto de apoio para os policiais terem uma razão.
Em tom alto, um policial falou:
- Seu carro está apreendido!!
Nesse momento minha amiga mandou que eu ficasse quieta no
carro enquanto ela descia para tentar resolver a situação
Eu obedeci... lógico. A cachaça e a vontade de fazer xixi tinham
zerado kkk
Minha amiga deve ter recebido o ” irmão do meu santo” e
mandou ele abaixar o tom de voz, pois não devia nada a ele para estar sendo
tratada com gritos.
O policial tentou se justificar dizendo que não estava
gritando e que tratava a mulher dele dessa forma.
A resposta da minha amiga?
- Sua mulher você trata da forma que você quiser, quero ver
você falar dessa forma com seu chefe.
E o policial “piu”.
Bem, mas entre discussões e blá blá blá, o carro ficou
apreendido e com risco de ser rebocado pro pátio do Detran.
Eu e minha amiga resolvemos pegar um táxi pra buscar o bendido
documento. Deixamos o carro, os policiais e a transalvador no local da confusão
e corremos pra Paralela acenando os braços, loucamente, até conseguir uma “vítima” para nos ajudar.
Depois de algumas tentativas um táxi parou!
- Moço, você aceita cartão? (Estávamos com pouco dinheiro)
- Não
Pensamos... Fudeu!
Mas, o motorista vendo nosso desespero disse que podíamos depositar
ou pagar pra ele depois.
Isso mesmo... Anjos existem, mesmo pra ajudar bêbadas e loucas rsrs
E fomos, desesperadamente, buscar o documento.
- Corre, moço, corre!!
E o moço corria. Foi um aliado maravilhoso na nossa causa.
Ufa!! Chegamos na casa da minha amiga.
Enquanto ela foi buscar o documento, eu fiquei no táxi
pegando os dados do motorista para realizar o pagamento no outro dia.
Quando minha amiga voltou com o documento, outra correria
pro lugar da “tragédia”.
Quando chegamos lá os policias já haviam ido embora e só
estava a Transalvador e o carro apreendido. O reboque ainda não havia
chegado.
Minha amiga desceu do táxi com o documento do carro para
resgatá-lo e quando foi entregar o documento para o agente, ouviu a seguinte
resposta:
- Não precisa mostrar nada. Está tudo bem! Dá pra ver que a
senhora é do bem e não deve nada.
É mole?
Nessa hora minha cachaça voltou (rs). Raiva da porra!!!
Nos despedimos do táxi e fomos pra casa.
No outro dia acordei arrasada com tudo, mas a preocupação
maior era pagar nosso amigo do táxi.
Fui na minha agenda do celular e não achava de forma alguma
o contato dele.
À noite, fui passando contato por contato até que encontrei um
nome e um número estranho:
BEUNO TACI
Olhei o número e estava incompleto, faltava um dígito.
Fiquei pensativa, mas como não sabia do que se tratava,
deletei.
Quando fui dormir, minha cabeça deu um estalo: Era o contato do táxi
Fiquei doida! Nunca ia deixar de pagar o nosso amigo.
Acordei no outro dia e liguei pra minha amiga pra saber se
ela tinha o contato dele, mas ela não tinha. Perguntei a ela se eu tinha
passado o meu contato pra ele, mas ela não lembrava.
Ficamos arrasadas, pois queríamos, mais do que pagar,
agradecer aquela alma boa que apareceu em nossas vidas.
Calma!! Ele não ficou no prejuízo. No outro dia meu celular
tocou e era ele. Mesmo doida eu tinha dado meu contato pra ele.
E assim, termino esse caso com alguns aprendizados:
- O nome BUENO TACI significa BRUNO TÁXI (o “nervoso” deve
inchar nossos dedos e fazer com que batemos na tecla errada rs)
- Quando beber nunca mais olho pra um policial (até hoje
agradeço porque só o carro foi apreendido e eu não)
- Se beber não dirijo. Ah! Esse não. Eu não estava
dirigindo! rsrs