terça-feira, 10 de março de 2026

A Bufa Atômica

 Era para ser apenas mais uma noite comum. Eu, uma amiga e um casal de amigos fomos para a Borracharia— que, apesar do nome, é um lugar de música alta, gente dançando e luz piscando. Pneus apenas de decoração.

Depois de um tempo conversando, eu e minha amiga resolvemos ir para o meio da pista. A música estava boa e a gente super animadas. Começamos a dançar uma de frente para a outra, no meio da galera.

Foi então que minha amiga fez uma cara séria e anunciou, com toda a naturalidade do mundo:

— Amiga… eu vou peidar.

Eu parei no meio do passinho.

— Pelo amor de Deus!

Mas, como eu estava de frente para ela, fiz um raciocínio rápido, daqueles que parecem inteligentes na hora:

— Ah, tudo bem. O peido vai pra trás, né? Por mim, faça o que quiser.

E ela fez!!!

Aí veio um vento traiçoeiro. O vento bateu e o peido voltou. Veio direto na minha cara.

Foi uma carniça indescritível. Um ataque químico inesperado. Uma bufa atômica.

Eu virei na hora e saí correndo da pista em direção ao fumódromo, que fica lá em cima, subindo uma escada longa. Enquanto eu corria desesperada, olhava para trás…

E minha amiga vinha correndo atrás de mim.

Eu, desesperada, continuava correndo e gritando:

— SAI! SAI! SAI QUE O PEIDO COLA NA BUNDA!

Eu corria e ela corria atrás. Eu corria e ela corria atrás. E ela passando, o peido se espalhando e o pessoal quase vomitando.

Finalmente chegamos ao fumódromo. Graças a Deus, o peido já havia sido “inspirado” pelas narinas alheias que estavam na pista. Respiramos aliviadas, sentamos e começamos a rir sem parar.

Daquelas risadas que chegam a doer a barriga. Enquanto a gente ria, o pessoal olhava sem entender nada.

Ainda fizeram uma pergunta:

— O que aconteceu?

Mas a gente não conseguia falar. Toda vez que tentava explicar, lembrava do vento… da corrida… do grito… e voltava a rir mais ainda.

Depois de um tempo, quando finalmente conseguimos respirar, minha amiga lembrou do casal de amigos que tinha ficado lá embaixo na pista e perguntou:

— Cadê fulano e fulana?

Eu respirei fundo e falei:

— Ah, minha filha… desça lá. Com certeza a pista está vazia com dois corpos estendidos no chão.

Pra que falei isso? Voltamos a rir sem parar novamente.

Mas uma coisa é certa:

Se ventar, não peide… se peidar, não corra.

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