Era para ser apenas mais uma noite comum. Eu, uma amiga e um casal de amigos fomos para a Borracharia— que, apesar do nome, é um lugar de música alta, gente dançando e luz piscando. Pneus apenas de decoração.
Depois de um tempo conversando, eu e minha amiga resolvemos
ir para o meio da pista. A música estava boa e a gente super animadas. Começamos
a dançar uma de frente para a outra, no meio da galera.
Foi então que minha amiga fez uma cara séria e anunciou, com
toda a naturalidade do mundo:
— Amiga… eu vou peidar.
Eu parei no meio do passinho.
— Pelo amor de Deus!
Mas, como eu estava de frente para ela, fiz um raciocínio
rápido, daqueles que parecem inteligentes na hora:
— Ah, tudo bem. O peido vai pra trás, né? Por mim, faça o
que quiser.
E ela fez!!!
Aí veio um vento traiçoeiro. O vento bateu e o peido voltou. Veio direto na minha cara.
Foi uma carniça indescritível. Um ataque químico inesperado.
Uma bufa atômica.
Eu virei na hora e saí correndo da pista em direção ao
fumódromo, que fica lá em cima, subindo uma escada longa. Enquanto eu corria
desesperada, olhava para trás…
E minha amiga vinha correndo atrás de mim.
Eu, desesperada, continuava correndo e gritando:
— SAI! SAI! SAI QUE O PEIDO COLA NA BUNDA!
Eu corria e ela corria atrás. Eu corria e ela corria atrás.
E ela passando, o peido se espalhando e o pessoal quase vomitando.
Finalmente chegamos ao fumódromo. Graças a Deus, o peido já
havia sido “inspirado” pelas narinas alheias que estavam na pista. Respiramos
aliviadas, sentamos e começamos a rir sem parar.
Daquelas risadas que chegam a doer a barriga. Enquanto a
gente ria, o pessoal olhava sem entender nada.
Ainda fizeram uma pergunta:
— O que aconteceu?
Mas a gente não conseguia falar. Toda vez que tentava
explicar, lembrava do vento… da corrida… do grito… e voltava a rir mais ainda.
Depois de um tempo, quando finalmente conseguimos respirar,
minha amiga lembrou do casal de amigos que tinha ficado lá embaixo na pista e
perguntou:
— Cadê fulano e fulana?
Eu respirei fundo e falei:
— Ah, minha filha… desça lá. Com certeza a pista está vazia
com dois corpos estendidos no chão.
Pra que falei isso? Voltamos a rir sem parar novamente.
Mas uma coisa é certa:
Se ventar, não peide… se peidar, não corra.

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