Preparei a maior presepada pra esperar meu ídolo passar no trio. Minha esperança era que com os cartazes, apitos, mamães sacode e tudo mais que achei para chamar a atenção, ele pararia o trio na frente do prédio que estava com a galera e cantaria uma música para mim.
Distribuí os objetos entre os amigos, coloquei cada um em sua posição e ocupei meu lugar. Fiquei em cima de duas caixas de coca-cola cedidas pela dona do isopor.
Lá de cima avistei o trio apontando e dei o comando:
- Todos alertas que o trio está vindo.
Ficamos todos posicionados esperando o trio se aproximar.
Quando ele chegou na nossa frente, os apitos soaram, os cartazes balançaram, as mamães sacode sacudiram, os gritos saíram de cada garganta e... E nada. Para meu arraso, Netinho passou a mil correndo de um lado pro outro do trio sem nem se quer dar uma olhadinha pra baixo pra ver a festa que estávamos fazendo pra ele.
Aos poucos os apitos foram silenciando, os cartazes descendo, as mamães sacode caindo e os gritos cessando.
Naquele momento senti, pela primeira vez, uma raiva enorme de Netinho.
Rasguei os cartazes, amassei formando uma bola e joguei em direção ao trio, que se afastava lentamente da frente do prédio. Ao mesmo tempo que jogava os cartazes, fazia gestos obscenos e gritava palavras não muito educadas. Realmente, foi um momento de fúria na minha vida.
Assim que me acalmei, olhei para os lados e todos em minha volta me olhavam com cara de espanto. Olhei para cima e todos que estavam nas janelas do prédio, apontavam pra mim rindo sem parar. Olhei pra baixo e, toda sem graça, desci da minha plataforma improvisada e fiquei parada por uns minutos pra me recompor.
Nesse momento, um morador do prédio chegou rindo do lado do meu ex namorado e disse:
- Rapaz, nunca vi uma fã tão revoltada.
Pois é, não consegui chamar a atenção de Netinho, mas, com certeza, consegui chamar a atenção da metade dos carnavalescos do circuito Barra - Ondina.