quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A Cigana


Estava na Praia do Forte com uns amigos curtindo um churrasquinho.
Depois de algumas horas de churrasco e vários goles de cerveja, chegou uma amiga que não estava no churrasco, mas também estava na Praia do Forte me chamando pra ir na casa de um amigo dela onde estava rolando uma festinha.
Eu chamei minha parceira do churrasco e fomos.
Chegando lá, o espírito da Cigana Santa Rosa Madalena cismou de baixar em mim. Comecei a falar que sabia ler mão e que era muito boa. Minha companheira do churrasco confirmava toda vez que eu falava afirmando com a cabeça.
Bastou frisar duas vezes que uma fila se formou na minha frente.
Fui lendo a mão de um por um e, pasmem, acertava tudoooo.
Quanto mais eu acertava, mais a fila aumentava.
Eu não tinha mais o que inventar quando, de cabeça baixa, lendo a mão de um rapaz, escuto uma voz:
- Agora é a minha vez.
Quando suspendi a cabeça reconheci a pessoa.  Simplesmente, Davi Bastos, arquiteto renomado... o dono da casa.
Ao mesmo tempo que fiquei tensa, fiquei empolgada com o cliente VIP e decidi ler a mão dele também.
Mão a postos e lá fui eu:
- Vejo isso, isso e isso
- Aconteceu isso, isso e isso
- Você fez isso, isso e aquilo
Cada vez que eu falava, ele arregalava os olhos.
Isso aí.. mais uma vez eu estava acertando tudo.
E assim terminou a noite: Todos sabendo de suas vidas, eu descobrindo que tinha sangue cigano nas veias, ou melhor, álcool cigano (rs) e Davi Bastos querendo meu contato para quando precisasse dos meus serviços.
Mas, graças a Deus, a cachaça já tinha zerado, de tanto ler mão, e consegui enrolar.

O Batuque

Estava curtindo com uma amiga o meu primeiro carnaval em Salvador. 
Estava, simplesmente, eufórica!
Dançava, cantava, pulava... Enfim, curtia cada minuto que passava.
Tudo muito normal até que começou a se aproximar da gente uma fila de policiais militares. Ao mesmo tempo que a fila começou a passar por a gente, se aproximava, vindo do lado contrário, o trio da Timbalada.
E de onde eu estava, escutava o grito de guerra:
- TIM BA LA DA!!!
Nesse momento, o juízo sumiu completamente da minha cabeça. 
Fiz um batuque na cabeça dos PMs. Comecei no primeiro da fila e só terminei no último.
Enquanto batucava, gritava junto com  a Timbalada:
- TIM BA LA DA!!
E, na hora do "DA" (última sílaba), o último policial teve direito a um batuque com uma força maior, afinal , era o fim do grito de guerra.
Minha amiga com os olhos arregalados, dizia:
- Você é louca?!?! Você é louca?!?! 
Todos olharam pra mim com cara feia, mas não fizeram nada. E eu, achando mais do que normal o que tinha feito,  sorria e dava tchau pra eles.
Até hoje não entendo como não me levaram. 
Com certeza, foi uma graça concedida por Nossa Senhora Protetora dos Carnavalescos.


A Sacizeira

Era carnaval.
Estava no prédio com alguns amigos quando avistei o camarote andante de Carlinhos Brown se aproximando. Resolvi ficar pertinho pra apertar a mão do Cacique.
Assim que ele foi passando, estiquei meu braço e chamei por Brown. Como sempre, muito simpático e atencioso, veio em minha direção para pegar na minha mão. Quando eu estava com o braço hiper estendido para realizar meu desejo, uma"sacizeira" (nome usado em Salvador para mulher baixo astral) passou entre mim e Brown e empurrou meu braço com toda força. 
Na reação dei um empurrão nas costas dela e ela saiu catando cavaco uma boa distância. 
Quando achei que tudo tinha terminado, olhei pra direção que tinha empurrado a sacizeira  e avistei a criatura voltando com movimentos de boxe e soltando fogo pelas ventas.
Isso mesmo!! Ela estava voltando pra me pegar.
Fiquei desesperada!! Ia apanhar feio.
Olhei pros lados pra ver se tinha amigos em volta, mas nada. 
Olhei pro prédio pra ver se dava tempo de correr, mas estava um pouco distante.
É... A única solução era me defender.
Esperei ela se aproximar mais um pouco e quando ela ficou na distância do meu braço hiper estendido, por ironia do destino, o mesmo que ela empurrou, dei um tapa no pé da orelha da sacizeira fazendo ela dar um giro de 360º.
Enquanto ela girava, eu corria em direção ao prédio. 
Ufa!! Deu tempo. 
E lá de dentro do prédio, são e salva, eu enxergava a sacizeira, ainda um pouco zonza, me procurando.
Essa aí nunca mais mexe com gente que não é da laia dela...rsrs

sábado, 6 de dezembro de 2014

A Atiradora

Quando eu penso que já vi de tudo no colégio estadual onde trabalho, tenho a prova que, definitivamente, estou enganada.
Estava dando aula quando uma menina e três meninos começaram uma discussão. Quando a aluna viu que estava começando a perder a "briga", resolveu chamar 2 apoios.
Colocou os seios pra fora e começou a esguichar leite nos meninos (tinha parido recentemente e estava amamentando).
Os meninos começaram a correr pela quadra desesperadamente, enquanto a aluna corria atrás deles com suas armas fatais.
Eu tentava acalmar a situação, mas sem muito êxito.
No desespero, gritei:
- Aluna, guarda essas armas, ops, digo, seus seios.
E ela, ainda correndo atrás dos meninos, respondeu gritando:
- Calma, pró, só falta um.
Eu, dada por vencida e desesperada pra por fim na situação, respondi:
- Então acerta logo e depois guarda.
E, finalmente, ela acertou o último e cumpriu a ordem.
Ufa...